quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Uma UNE antidemocrática

por Bruno Kazuhiro

A União Nacional dos Estudantes tem sua história marcada por ter participado de grandes batalhas em prol da democracia. Em momentos políticos delicados pelos quais passou nosso país, como o golpe de 1964, o regime militar, a redemocratização e o impeachment de Fernando Collor, a entidade sempre esteve ao lado da democracia e da pluralidade.

Infelizmente a UNE não faz jus, hoje, a seu passado glorioso. Atualmente, reduz-se a uma entidade cooptada pelo governo federal que nada tem a dizer quando os maiores absurdos são cometidos contra os estudantes, aqueles que ela supostamente deveria defender.

Não se viu manifestação da UNE contra a incompetência do governo federal na gestão do Exame Nacional do Ensino Médio. Não se ouviu falar em protesto da entidade a favor da melhora das condições das universidades públicas.

Na tentativa de não perder espaço político entre os estudantes, o discurso dos representantes da UNE busca abranger as demandas da juventude, mas a prática demonstra que se trata apenas de proselitismo.

As causas sensíveis que envolvem os estudantes brasileiros são deixadas de lado pela UNE, que prefere atuar em defesa dos interesses de sua cúpula e do partido político que a controla, o PC do B.

Resta a outros partidos de esquerda, como o PSOL e o PSTU, tentar construir novas entidades nacionais de defesa dos estudantes. Contudo, fazem isso de forma estridente, contraproducente e eivada de ideologias que não retratam mais o corpo estudantil nacional.

O porquê de a UNE ter abandonado na prática suas causas históricas e, consequentemente, o motivo de sua perda de representatividade, estão expressos claramente nas notícias que dão conta de que o congresso nacional da entidade a ser realizado nos próximos dias tem o patrocínio de estatais como a Petrobras.

Por não ter a Petrobras relação alguma com as questões estudantis, fica claro que o patrocínio é apenas meio de transferência de recusos de um governo cooptador para a entidade cooptada.

E assim segue a UNE, esquecendo os estudantes brasileiros e preocupada com o governo e os partidos políticos que financiam seu funcionamento, dão cargos públicos ao seu grupo comandante e estimulam o controle político da seara estudantil através de estudantes profissionais.

Parece que a alternativa que resta aos que desejam defender causas da juventude brasileira é a de formar novas entidades nacionais que atuem nesta área, o que comprova a representatividade declinante da UNE e a falta de respeito completo ao pensamento divergente dentro da instituição.

Os convidados ilustres do próximo congresso, por exemplo, são petistas e comunistas. Nada contra a participação deles, mas por que não são convidados defensores de ideologias diferenciadas e, até mesmo, diametralmente opostas?

Será que a juventude brasileira, que contém jovens de todos os matizes ideológicos, está plenamente representada por uma entidade monopolizada por um pensamento só?
Com certeza não.

Democrática e plural. Algo que a UNE foi e que hoje, com certeza, não é.

*Bruno Kazuhiro é estudante de Direito na Universidade Federal do RJ e autor do blog http://perspectivapolitica.com.br.

Nenhum comentário: